GUIA SOBRE O PARQUE NACIONAL DA TIJUCA É NOVA FERRAMENTA PARA ENSINO

ENSINO – EDUCAÇÃO

SENSACIONAL ESTA MATÉRIA! A QUALIDADE SURGE COMO UMA LUZ, NA ÁREA DA EDUCAÇÃO, O ENSINO EM CAMPO, O VALOR AGREGADO. VAMOS PROBLEMATIZAR E AUXILIAR AOS ALUNOS NAS ESTRATÉGIAS ATÉ A SOLUÇÃO.  PARABÉNS AOS IDEALIZADORES E AUTORES PELA INICIATIVA. DE CADA  PONTO QUE APARECER IDEIAS E AÇÕES QUE FAÇAM DA NOSSA EDUCAÇÃO ALGO MELHOR,  SERÁ O SINAL DE VERDADE DE QUE ESTAMOS NO CAMINHO CERTO, PORQUE O PRIMEIRO PASSO CERTO, NESTE CASO, JÁ FOI DADO.

DJANIRA FELIPE DE OLIVEIRA – MULHER QUE ESCREVE. MULHER QUE FAZ. E SABE POR QUÊ.                                  

O Parque Nacional da Tijuca possui 3.953 hectares e é visitado anualmente por cerca de dois milhões de pessoas.

                                      Foto: Thiago Haussig 

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Danielle Kiffer  

Ele tem 3.953 hectares de área,o equivalente a 3,5% da área municípiodo Rio de Janeiro; é visitado, anualmente, por cerca de dois milhões de pessoas, entre cariocas, turistas estrangeiros e de outros estados; abriga um dos pontos turísticos mais notórios da cidade: o Cristo Redentor. Estamos falando do Parque Nacional da Tijuca, um pequeno fragmento da Mata Atlântica, em pleno centro urbano, que agrega em sua extensão grande biodiversidade de fauna e flora, além de ser riquíssimo em fatos históricos e arte. Aproveitando essa multidisciplinaridade natural, Andréa Espínola de Siqueira, professora do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (Ibrag) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), desenvolveu – com mais 12 professores e pesquisadores dos mais diversos campos de estudo, desde biologia, geografia, história a artes, de várias universidades – o Guia de Campo do Parque Nacional da Tijuca, livro eletrônico que traz uma espécie de roteiro, voltado principalmente a professores e estudantes da educação básica. Nele, o Parque Nacional da Tijuca passa a ser um local para aulas externas, em que podem ser observados e abordados vários pontos importantes. Para sua criação, o guia recebeu subsídios do programa de Apoio ao Material Didático para ensino e pesquisa, da FAPERJ. “Apesar de ser o menor do Brasil, como se trata de um local ímpar, reduto de patrimônio histórico e cultural, o Parque Nacional da Tijuca é o mais visitado. Por isso, não queríamos que o guia parecesse um livro didático, mas que proporcionasse uma leitura leve, entretendo ao mesmo tempo em que informa”, afirma Andréa. O material pretende tirar o máximo de aproveitamento da visita ao parque, estimulando nos jovens a cidadania e o debate sobre questões socioambientais. “Acredito que se deve entrar na floresta como quem folheia as páginas de um livro. Os assuntos são muitos e as possibilidades, infinitas. Tomando-se como ponto de partida a Trilha dos Estudantes, ao entrarmos na floresta, um mundo novo se abre e os alunos podem ver e sentir na prática temas que, se abordados em sala de aula, poderiam parecer desinteressantes ou mesmo monótonos. Trata-se de um local rico, resultado de um processo que levou anos para se consolidar, a partir da iniciativa pioneira e visionária do imperador D. Pedro II”, comenta Lucio Meirelles Palma, coordenador de Monitoria Ambiental e do Voluntariado no Parque Nacional da Tijuca.

A relação entre a vegetação e a temperatura, o cheiro característico e a importância da mata são alguns dos temas abordados no guia, com notas para o professor destacar a seus alunos. Entre eles, a própria história da formação da floresta, que, no início do século XIX, estava devastada pela cafeicultura e pelas plantações de cana-de-açúcar e pela retirada da madeira para construção. As consequências desse desmatamento não tardaram, afetando os mananciais hídricos e prejudicando o abastecimento de água da cidade. Para reverter essa situação, o imperador D. Pedro II, em 1861, por meio do decreto imperial, mandou reflorestar as áreas das florestas da Tijuca e das Paineiras. Estima-se que ao longo de 13 anos tenham sido plantadas cerca de cem mil árvores, primeiramente por seis escravos – Eleutério, Constantino, Manuel, Mateus, Leopoldo e Maria –, e mais tarde com a ajuda de 22 trabalhadores assalariados.

Nesse contexto, há, por exemplo, um link para que os professores questionem os alunos sobre qual a relação entre desmatamento e a redução do volume de água dos rios da região no começo do século XIX. Os professores são instruídos a reforçar pontos específicos, como o fato que a mata protege os mananciais contra assoreamento, ou seja, que os rios sejam obstruídos por sedimentos ou detritos levados pelas chuvas.

Uma espécie de Rubiaceae, que pode ser vista na  trilha da floresta. O café faz parte dessa família

Foto: Ana Maria Donato

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Com espécies de grande interesse farmacológico, medicinal, ornamental e alimentício, a flora de Mata Atlântica que compõe a floresta é internacionalmente reconhecida como uma das mais ricas e diversificadas do planeta. Segundo a bióloga Ana Maria Donato, uma das autoras do guia e professora da UERJ, na Trilha dos Estudantes podem ser encontradas plantas bastantes presentes em nosso cotidiano, como algumas Rubiaceae, nome da família botânica da qual faz parte o popular café. E também diversas Bromeliaceae, família cujos representantes têm folhas alongadas e organizadas em roseta, formando um reservatório onde se acumula água da chuva em sua base. “O abacaxi pertence a essa família, além de numerosas espécies de grande valor ornamental, típicas da Mata Atlântica e em muitos casos encontradas exclusivamente nesse bioma”, explica Ana Maria.

Outro coautor do livro, Alexandre Justino Soares trabalha no Centro de Visitantes do Parque Nacional da Tijuca (ICMBio) há 11 anos e também é professor de Artes na rede municipal de ensino de Nova Friburgo. Ele ainda se encanta com a imensa diversidade de animais na área e a integração local entre fauna e flora. “Às vezes, presenciamos macacos-prego bebendo água diretamente de bromélias, algumas das quais podem alcançar até três metros, abrigando em seus vãos sapos, rãs e pererecas”, conta. Mas Alexandre ressalta: “Apesar de a bromélia ser depósito de água parada, na floresta ela não é foco de mosquito da dengue, porque num ambiente equilibrado os próprios animais fazem o controle biológico da espécie transmissora da Dengue, que se prolifera com mais incidência em ambientes domésticos”. O professor fala ainda sobre o ipê, cuja casca do tronco, segundo ele, é ótimo adstringente para machucados. “Os animais mastigam a casca da árvore e a colocam sobre suas feridas.” Para o professor, uma de suas aves prediletas é o tangará-dançarino, que além da grande variedade de cores em suas penas ganhou esse nome pela exótica dança de acasalamento que executa. “É um emocionante espetáculo da natureza, que pode ser admirado por qualquer pessoa”, exclama.

Andréa e equipe pretendem lançar em 2014 a versão impressa e ampliada do guia, trazendo informação sobre uma trilha, adaptada especialmente para visitantes que usem cadeira de rodas e para aqueles com deficiência visual, em que os pontos de interesse estão indicados em placas informativas em braile. “Pretendemos promover a inclusão também à natureza, a esse reduto tão rico de história e cultura”, finaliza Andréa. O livro completo pode ser baixado diretamente na página oficial do Parque Nacional da Tijuca (http://www.corcovado.org.br/) ou na página do Instituto de Biologia da UERJ (http://www.biologiauerj.com.br/) .

Fonte:  http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=9624

© FAPERJ – Todas as matérias poderão ser reproduzidas, desde que citada à fonte.

Colaboração: Adolpho Ladeira – Analista de Mercado

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Publicado em 2014/01/05 12:02:38 AM, em Brasil, Ciências Sociais, Cidadania, Comportamento, Cultura, Educação, Escolas, História, Sustentabilidade e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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