O PAPEL DA MULHER NA POLÍTICA, NO TRABALHO, E OS DESAFIOS DA MULHER DE BAIXA RENDA.

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Em março de 2012 fui convidada para falar, em uma rádio web, sobre o tema título deste artigo que compartilho com os meus amigos leitores.

Por Djanira Felipe de Oliveira – 06/04/2013

O começo da participação efetiva das mulheres na Política.

Sobre a questão da participação das mulheres na política, versam matérias de antes do Brasil colônia. Apenas registro para salientar que sempre estivemos presentes. Contudo, entendo como o começo efetivo, a candidatura às eleições de 1998, na história do País, uma mulher, Thereza Ruiz, do pequeno PRN – Partido da Reconstrução Nacional, à presidência da República. Dois anos depois as capitais de seis estados passaram a ser dirigidas por mulheres, dentre elas, Marta Suplicy, que venceu as eleições para a prefeitura da maior cidade do país.

Apenas dez anos mais tarde, em 31 de outubro de 2010, Dilma Rousseff (PT – Partido dos Trabalhadores) venceu as eleições presidenciais no segundo turno, tornando-se a primeira mulher a ser eleita Presidente da República Federativa do Brasil. É a segunda mulher Chefe de Estado do Brasil República, e a quarta mulher Chefe de Estado da História do Brasil desde D. Isabel.

Dilma Roussef foi eleita presidente. É evidente que nesse espaço de tempo tivemos avanços significativos, inclusive o interesse das mulheres em filiar-se aos partidos políticos e militarem pelos interesses da sociedade. Acredito que a vitória da presidente Dilma, poderá ser considerada mais do que um marco, um incentivo ao crescimento da demanda pela participação das mulheres na Política Brasileira.  

Agora abrirei um parêntese para destacar um trecho interessante e recente que trata do envolvimento da mulher na política.

Li a respeito da realização do IV Encontro do PRB Mulher Nacional, no Rio de Janeiro, em 22 de março de 2013, com a participação do senador Eduardo Lopes. O evento reuniu a presidente nacional da militância Rosangela Gomes e a vice-presidente Eron Vasconcelos. E o objetivo principal foi abordar as questões sobre o I Congresso do PRB Mulher, previsto para o mês de agosto em Brasília. A notícia me chamou à atenção, principalmente porque acompanho o desempenho do senador que para mim é um dos melhores frente ao cenário nacional, sobretudo, no trato com as pessoas. De acordo com a matéria a fala do senador:

 “Eduardo Lopes abordou a questão do envolvimento das mulheres na política e destacou que para ele ainda é muito pequeno. Na ocupação das Casas Legislativas teria de ser maior a representação das mulheres, uma vez que estas são maiorias no nosso país. Porém, infelizmente poucas entram na disputa para conseguir uma cadeira no parlamento,” afirmou.

De acordo com o Republicano não existe na história do país, qualquer partido que tenha em sua maioria representação feminina. De regra a lei exige que o partido tenha no mínimo 30% de gênero seja ele feminino ou masculino. “Na realidade faltam mulheres que estejam com disposição para disputar as eleições, os partidos atingem somente a cota de gênero com as mulheres. O PRB está aqui para reverter esse quadro e fazer com que o sexo feminino levante essa bandeira de mulheres na política”, finalizou.

Destaquei no primeiro parágrafo o texto porque no final de fevereiro, em reunião com o senador, o assunto foi mencionado por ele, e concordo em relação à ocupação das Casas Legislativas. No entanto, surpreende-me a afirmação, também realçada, sobre a falta de mulheres que estejam com disposição para disputar as eleições. Embora eu considere o senador Eduardo Lopes, o político exemplo a ser seguido por outros, percebo diferente este cenário. Há mulheres dispostas a disputar e que disputaram nas últimas eleições, inclusive pelo PRB, sou uma delas. Mas, não basta estar disposta a disputar, não basta estar capacitada para tal, não basta realizar uma campanha eleitoral eficaz. Além disso, não basta ter ideias, projetos e muita vontade de realizar. Será necessário mais do que o desejo de chegar. Será importante e fundamental que o interesse seja mútuo. O abraço jamais poderá ser unilateral. Precisamos encontrar uma forma de ajustamento das expectativas dos novos talentos às suas percepções, de maneira que as percepções superem as expectativas. Sendo assim, acredito que o PRB, assim como outros partidos, estará dando o primeiro passo certo no caminho certo para, senão, reverter, pelo menos transformar a realidade atual.

Amigos este meu comentário sobre a fala do senador significa o quanto admiro este parlamentar que é uma das minhas lideranças do PRB do Rio de Janeiro. E com certeza entenderá as minhas considerações porque é um homem que faz política séria, e, portanto, a cada dia conquista a confiança dos Brasileiros no Senado. Fecho o parêntese.

Vale ressaltar que fora do Brasil algumas mulheres têm sido eleitas politicamente para serem Chefes de Estado e de Governo. Uma das mais proeminentes líderes de potências mundiais pode ser Margaret Thatcher como primeiro-ministro do Reino Unido, Indira Gandhi da Índia, Ângela Merkel é a primeira mulher a se tornar Chanceler da Alemanha, e líder do partido da União Democrática Cristã.

Quanto a minha avaliação sobre a realidade da presença feminina no mercado de trabalho.

No âmbito do Trabalho, certamente, o acesso da mulher ao Poder Público é notório nos dias de hoje e estendem-se aos demais poderes constituintes do Estado: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.A sociedade moderna não comporta mais o pensamento de “trabalho de mulher é em casa” e entende como imprescindível às lutas pelo acesso das mulheres a cargos de chefia nos diversos segmentos empresariais (sobretudo multinacionais) e do serviço público. No final de março de 2012 a minha resposta a esta questão foi a seguinte:

No Brasil, as mulheres são 41% da força de trabalho, mas ocupam somente 24% dos cargos de gerência. O balanço anual da Gazeta Mercantil revela que a parcela de mulheres nos cargos executivos das 300 maiores empresas brasileiras subiu de 8%, em 1990, para 13%, em 2000. No entanto, as mulheres brasileiras recebem, em média, o correspondente a 71% do salário dos homens. Essa diferença é mais patente nas funções menos qualificadas. No topo, elas quase alcançam os homens.

Como fazer para conciliar política, trabalho e vida familiar.

Esta foi uma excelente pergunta! Precisamos ser as Super-Mulheres ou como dizem por aí, as Multifuncionais. É um exercício diário, pois se exige competência, compromisso e dedicação integral em todas as áreas. Tem que ser boa mãe, boa esposa, boa empresária e boa política. É uma cobrança injusta. Existe uma frase que diz: “-Homens dão relógios de presente; mulheres administram o tempo”. Não sei o autor, mas é bem apropriada.

Sobre o desafio da mulher de Baixa Renda.

Poderia falar deste tema durante horas. Priorizarei os pontos mais relevantes conforme a minha percepção:

Historicamente, após as duas Grandes Guerras, as mulheres tiveram que assumir os postos de trabalhos ocupados pelos homens. Com a Revolução Industrial e, por conseguinte, do Capitalismo, iniciou-se o processo de desigualdade em relação aos salários referentes a homens e mulheres. As que ficaram viúvas viram-se obrigadas a realizar trabalhos artesanais para sobreviver e manter suas famílias.  Deixou de ser parte da família para assumir o comando da família em algumas situações. Por isso, esse ingresso no mercado é uma vitória.

Uma peculiaridade que acompanha a mulher é a sua terceira Jornada. Normalmente, além de cumprir suas tarefas no trabalho externo, ela precisa cuidar dos afazeres domésticos. Isso acontece em quase 90% dos casos.

Outra dificuldade a ser vencida é a taxa de analfabetismo que ainda representa 20%. A média de escolaridade dessas “donas de casa” aumentou em um ano de 4,4 para 5,6 anos de estudos. A média salarial é ainda extremamente baixa.  Em seus domicílios as condições precárias devem-se ao fato de serem as únicas responsáveis pela alimentação, pelo cuidado com filhos e higiene, e pela provisão dos recursos materiais necessários para a manutenção do lar. No que diz respeito a esse último aspecto, vários estudos têm demonstrado que a participação das mulheres brasileiras no mercado de trabalho se dá predominantemente no setor de serviços, no segmento informal e desprotegido, onde recebem rendimentos menores por desempenharem atividades supostamente menos qualificadas.

Referente à indagação de como a sociedade pode ajudar a melhorar esta situação, de acordo com Pedro Demo, “A pobreza não é algo natural, mas sim produzida e cultivada socialmente. Ser pobre não é apenas não ter as mínimas condições de vida, mas, sobretudo, ser impedido de tê-las, o que é uma ameaça constante à dignidade humana”.

Faz-se necessário existir mobilização no sentido de aproximar o Estado, as Organizações Não Governamentais e a sociedade como um todo para mudar este panorama.

Quanto aos caminhos seguir para tornar isto uma realidade, primeiro acabar com as discriminações no mercado de trabalho;

Segundo – Criar uma rede de apoio através de parcerias das Empresas facilitando o acesso a creches infantis, por exemplo, e, sobretudo, vontade política para mudar a situação de exclusão social em que vivem estas mulheres “chefes de família”.

O recado que gostaria de deixar para os nossos internautas – em especial AS internautas.

Que desenvolvam as suas capacidades porque o mundo anda apostando nos valores femininos, principalmente, na capacidade de trabalho em equipe contra o individualismo, na persuasão em oposição ao autoritarismo, e na cooperação no lugar da competição. Além disso, Conquistar sua independência e ter a competência reconhecida é o sonho de todo ser humano, inclusive da mulher.

E, por fim, que a mulher tem a nobreza de exercer qualquer atividade com dignidade, desde a cozinha até a Esplanada do Planalto.

Djanira Felipe de Oliveira – É Analista de Correios, Administradora, Escritora e Consultora na área de Qualidade, Gestão de Pessoas, Processos e Projetos.

Blog: www.djanirafelipe.wordpress.com, Site: www.djanirafelipe.com.br

E-mail: djafelipe@hotmail.com

http://www.chicovigilante.com.br/artigos/?id=538, http://www.senadoreduardolopes.com.br/?p=798

 

 

 

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Publicado em 2013/04/08 12:59:39 AM, em Artigo, História, Política e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Muito bom e apropriado o artigo. Valoriza a mulher em todos os segmentos, além de mostrar aos líderes dos partidos políticos brasileiros, que a mulher está disposta e preparada para assumir a vida política e pública, seja quanto ao seu intelecto, seja quanto a sua garra. Parabéns!!!!!

    • Olá Dirce,
      Obrigada. Sintetizou bem a essência. Falta o olhar dos líderes dos partidos políticos brasileiros, oportunidades de fato, e, sobretudo, UNIÃO entre as mulheres que estão dispostas e têm competências. A falta da União favorece para que sejam excluídas em nome de uma inclusão não permitida.

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