ESPERANDO RESPOSTA!

As perguntas, quando bem elaboradas, são poderosas, pois levam as pessoas a refletir sobre certas incoerências praticadas, entre tantos outros direcionamentos que exigem mudanças de atitude. Nesse sentido, o gerente de Vendas da área de Papel da Omya do Brasil Ltda., Guillermo Gollmann, enviou à sua gerente do Banco Itaú Personnalitè a seguinte pergunta: lápis e papel – qual futuro? Ele, que é cliente do Itaú desde 1987 e Personnalité desde 2002, espera até agora uma resposta formal à sua carta, que publicamos a seguir, de forma editada, para ampliar a voz de todos aqueles que gostariam de ser tratados com respeito e inteligência como profissionais do setor de celulose e papel. De acordo com a ligação telefônica recebida de sua gerente, a carta foi encaminhada à área de Marketing do banco!

 “Lápis e papel – qual futuro?“

 Estou escrevendo a você para agradecer o presente que o Banco Itaú me mandou pelo correio “para celebrar esses dez anos do Personnalité ao meu lado e toda a minha história com o Itaú Unibanco”: um porta-lápis com dez lindos lápis dourados de borracha na ponta. Presente de muito bom gosto!

Fiquei extremamente feliz com o presente, que, além de bonito, é muito útil, já que costumo escrever muito, desenhar, projetar, rabiscar, etc. Mas devo confessar que, ao receber o presente e a mensagem, fiquei com uma dúvida que certamente você, minha gerente Personnalité nesses últimos anos, poderá me ajudar a esclarecer.

Tenho visto na TV a campanha para redução do uso do papel, segundo o Banco “para colaborar com um mundo mais sustentável”. Também em todas as correspondências que recebo do Banco, aparece no envelope uma mensagem me pedindo para cancelar o recebimento em papel e passar ao meio eletrônico.

Bom, aí surgem as perguntas: se o Banco quer reduzir o papel, por que será que me envia dez lindos lápis para “continuar participando dos desenhos de todos os meus projetos”? Não deveria, então, ter me enviado um tablet eletrônico ou um computador? Não seriam esses, segundo a filosofia do Banco, presentes mais “sustentáveis”?

Como você bem deve saber, sou um profissional do setor de papel e celulose há exatos dez anos, com muito orgulho de fazer parte de um grupo de milhares de profissionais brasileiros que trabalham na produção,

comercialização e conversão de um produto biodegradável, renovável e que provém de florestas plantadas de forma ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável. Se a campanha pelo fim do papel – que levanta erroneamente a bandeira da sustentabilidade sem ter absolutamente nenhum fundamento real – tivesse o efeito que o Banco deseja, eu simplesmente não teria mais projetos para escrever! Sendo assim, por favor, me ajude a esclarecer: qual das campanhas – a do fim do papel ou a do lápis para escrever o futuro – está mais alinhada com a política do Banco Itaú?

Assim você estará me esclarecendo se realmente o Banco Itaú quer fazer parte do meu futuro. A campanha contra o papel é uma campanha contra minha profissão, contra o meu futuro e o de milhares de profissionais do setor. Os lindos lápis e a ideia de escrever em papel o meu futuro são o que eu chamaria de “Perfeito para mim”. “Só é perfeito para nós quando é perfeito para você”, não é?


Fonte: Revista O Papel – ABTCP – Maio/2012

Publicado em 2012/07/27 10:18:29 AM, em Brasil, Ciências Sociais, Mundo e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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