Arquivo diário: 2011/10/25 11:44:56 PM

@juliaing Mães denunciam más condições de higiene em hospital da UFRJ

Mulheres filmaram infestação de baratas no refeitório e relatam que crianças receberam refeições mofadas

Clarissa Thomé

Um grupo de mães, cujos filhos são tratados de câncer no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), encaminhará ao Ministério Público Federal denúncias das más condições de higiene da instituição. Elas filmaram infestação de baratas no refeitório e relatam que crianças receberam refeições mofadas e com objetos estranhos. Os banheiros também estão mal conservados.

Julia Ingrid Ribeiro e o filho Pedro, de um ano e cinco meses, que tem leucemia - Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE
Julia Ingrid Ribeiro e o filho Pedro, de um ano e cinco meses, que tem leucemia

Os episódios começaram a ser registrados na semana passada. A dona de casa Júlia Ribeiro, de 21 anos, percebeu que a gelatina do filho, Pedro, de 1 ano e 5 meses, internado no local para fazer quimioterapia, estava mofada. À noite, a mãe conta ter encontrado um bolo de cabelos na refeição do filho. Ao descer para reclamar, deparou-se com a infestação de baratas no refeitório.

“Eram mais de 200. Elas saíam de uma tampa de bueiro que tem dentro do refeitório”, conta. “Uma comida estragada não vai provocar apenas indisposição. Meu filho vai ter de tomar antibiótico. É a vida dele que é colocada em risco.” Mas ela ressalta que o filho vem sendo bem atendido. “Eu não sabia que no SUS tinha médico que dava o telefone para o paciente, como se a gente estivesse pagando.”

Dois dias depois do caso de Pedro, Priscila Marinho, de 26 anos, encontrou um elástico no macarrão de Maria Clara, de 1 ano e 6 meses, internada para o tratamento de leucemia. “É um absurdo o descaso com as crianças”, afirmou. Ela relatou que, apesar de as crianças com leucemia ficarem isoladas, por causa do risco de infecção oportunista, todos os pacientes se banham no mesmo local. “A água do banho de uma criança internada com pneumonia escorre e fica sob os pés dos nossos filhos, que são imunossuprimidos e podem adoecer”.

O diretor da instituição, Edmilson Migowski, afirmou que o hospital está em obras, o que pode ter provocado a infestação. Ele apresentou

à reportagem documentos que comprovam dedetização recente – a última foi em julho. A reportagem também encontrou baratas no refeitório e numa área da cozinha que não está em uso, além de irregularidades como telas rompidas e saídas de esgoto na cozinha e refeitório.

“Esse é um prédio de 1953. Estamos fazendo obra na fachada, na rede de esgoto, entregamos no início do ano a reforma da emergência e do hospital-dia. Estamos licitando a reforma dos banheiros. Mas temos limite orçamentário”, explicou.

Ele informou que estuda reformar o refeitório, com o restaurante explorado pela iniciativa privada. E diz que determinou mudança na etiquetagem dos alimentos, que seguirá com a data de fabricação para os pacientes. Mas refutou a contaminação da comida com cabelos e elástico. “A contaminação pode ter ocorrido no quarto.”

Royalties do petróleo e a difícil missão dos políticos de virar o jogo

Parlamentares fluminenses estão cientes de que garantir mudanças nos royalties na Câmara será parada dura.

Estado do Rio poderá perder R$ 2,5 bilhões em 2012

A bancada fluminense na Câmara dos Deputados está ciente de que terá uma parada dura pela frente na tentativa de reverter a proposta de divisão dos royalties do petróleo elaborada pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) e que foi aprovada pelo Senado na última quarta-feira, prejudicando os municípios produtores de petróleo, reduzindo de 25% para 17% (a partir de 2012) os repasses de royalties. A Participação Especial (PE) dos estados cai de 40% para 20%. O Estado do Rio e 86 dos seus 92 municípios perderão R$ 2,5 bilhões em 2012, caso a proposta passe no Congresso Nacional e seja sancionada pela presidente Dilma Rousseff.

Nesta segunda-feira, o líder do Governo na Câmara, deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP), se reúne com Dilma para saber dela a posição em relação à divisão dos royalties. A esperança das bancadas do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo é que ela, a exemplo do seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva – que em 2010 vetou a emenda Ibsen quando esta chegou em suas mãos – vete a nova proposta. No dia seguinte, Vacarezza se reunirá com as bancadas dos estados produtores. A ida ao Supremo Tribunal Federal (STF) é encarada como saída final.

“O cenário atual para a gente é muito difícil. Vamos apelar para o bom senso dos deputados dos estados não produtores e procurar uma solução negociada. A nova proposta irá mexer com contratos já licitados e isso é um absurdo. Vai comprometer o pacto federativo. Esperamos que a presidente vete a proposta. Hoje estão mudando a divisão dos royalties. Amanhã podemos redividir o que for arrecadado com os minérios com alterações no Código Mineral, que está para chegar ao Congresso em breve”, afirma o deputado federal Chico D’Ângelo (PT), que tem bases eleitorais em Niterói e Campos dos Goytacazes.

O líder da bancada do PDT na Casa, deputado Brizola Neto, também aposta na negociação com os colegas. “O jogo não será fácil, afinal, as bancadas do Rio, Espírito Santo e São Paulo são minoria na Câmara. Para piorar, muitos parlamentares dos outros estados estão preocupados em agradar as suas bases eleitorais, já que em 2012 haverá eleições municipais. Mas, iremos até às últimas instâncias”, anunciou o pedetista.

Pela proposta aprovada no Senado, a União perde cerca de R$ 1,5 bilhão no próximo ano. Com a necessidade de acelerar as votações no Congresso de propostas de seu interesse e a impossibilidade de acordo, o governo aceitou reduzir sua fatia na PE dos campos já licitados de 50% para 42% em 2012. O acordo anterior era de 46%.

A deputada federal Solange Almeida (PMDB), que tem Rio Bonito como principal base, também torce pelo veto de Dilma e está pouco confiante numa virada de jogo na Câmara.

“Vai ser um rolo compressor. A proposta compromete a governabilidade do Estado do Rio. O orçamento de muitos municípios fluminenses depende dos royalties. Só o de Rio Bonito representa 50%. Por ano recebe hoje R$ 8 milhões. Com a proposta aprovada, receberá R$ 4 milhões. O dinheiro é usado na cidade na coleta de lixo, pavimentação de ruas e saneamento básico. Em último caso, confio numa decisão favorável do STF”, afirmou Solange.

O deputado federal Edson Ezequiel (PMDB), que tem base em São Gonçalo, também está pessimista.

“Vamos perder de goleada na Câmara. Não podemos confiar que a presidente irá vetar. Temos que buscar alternativas. Uma é o Judiciário. Outra é alterarmos o percentual de juros que a União cobra de dívidas dos estados, que é exorbitante, além de mexermos com os percentuais de repasse do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), como saídas compensatórias ao que perderemos”, sugeriu o peemedebista.

Rio terá manifestação em defesa dos royalties

O senador Lindbergh Farias (PT), após tentar, em vão, obstruir a votação da proposta no Senado na última quarta-feira, junto com os colegas da bancada fluminense na Casa, Francisco Dornelles (PP) eMarcelo Crivella (PRB), além de senadores do Espírito Santo e São Paulo, promoverá uma manifestação popular em 10 de novembro, às 15 horas, em frente à Igreja da Candelária, no Centro do Rio. O evento foi combinado com o governador Sérgio Cabral, segundo o parlamentar.

O objetivo é a defesa da manutenção da atual partilha dos royalties de petróleo entre os municípios produtores. O protesto também deverá ter a presença das bancadas fluminenses na Câmara dos Deputados e no Senado.

“Não saímos como derrotados desta votação. Apenas perdemos uma batalha. Vamos às últimas consequências. Iremos às ruas e iniciar a campanha: Veta, Dilma”, afirmou Lindbergh logo após a votação.

De acordo com Cabral, o projeto põe em risco as finanças do estado e dos municípios que dependem dos royalties e das participações especiais do petróleo. “Os aposentados me custam R$ 10 bilhões por ano. Paga quase a metade com essas receitas”, declarou.

Cabral acrescentou ainda que ficarão comprometidos também o pagamento de dívidas com a União, os investimentos nas UPPs, a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, mas que confia no veto presidencial, lembrando que Dilma teve 70% dos votos do Rio no segundo turno das eleições de 2010.

Memória – Em março de 2009, o então deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) conseguiu aprovar na Câmara emenda de sua autoria que redividia o repasse dos royalties igualitariamente entre todos os 27 estados mais o Distrito Federal, tirando, assim, muitos dos royalties dos estados produtores. Com a emenda, o Estado do Rio perderia até R$ 8 bilhões por ano em receita. A União ficaria com 40% dos royalties e 50% da PE.

No dia 17 daquele mês, passeata pela Avenida Rio Branco, no Centro do Rio, atraiu a participação de mais de 50 mil pessoas, além das principais lideranças políticas do estado e resultou na promessa de veto por parte do então presidente Lula.

Na madrugada de 10 de junho de 2010, o Senado aprovou emenda do senador Pedro Simon (PMDB-RS). Pela proposta, a União também ficava com 40% dos royalties e os municípios afetados por operações de embarque, 7,5%, conforme o Fundo de Participação dos Municípios.

Os estados e cidades produtoras poderiam ser compensadas em suas perdas pela União. Com isso, o Estado do Rio, por exemplo, perderia R$ 10 bilhões por ano. Lula vetou a emenda.

Fonte: O Fluminense Online

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